A única forma de Portugal crescer

A única forma de Portugal crescer - Opinião do Cronista Angelo Sousa
Portugal continua a desperdiçar décadas com políticas de curto prazo. Habitação inacessível, produtividade estagnada e um sistema de saúde sobrecarregado são sintomas de uma Economia que ainda não aprendeu a pensar a longo prazo. Crescer de forma consistente exige colocar a economia no centro do desenvolvimento nacional e adotar uma estratégia que produza resultados estruturais apenas ao longo de décadas.
Pensar a longo prazo não é algo abstrato. É a única forma de transformar problemas estruturais em soluções concretas. A Economia deve ser o pilar central de qualquer estratégia, com investimentos sustentados em educação, inovação e tecnologia. Estes pilares permitem formar capital humano qualificado, gerar competitividade internacional e aumentar a produtividade, criando condições para que Portugal se torne um país economicamente sólido e sustentável.
O exemplo da Irlanda ilustra este caminho. Nos anos 80, tinha indicadores económicos semelhantes aos de Portugal. Baixo PIB per capita, desemprego elevado e produtividade limitada. Ao apostar em educação, atrair investimento estrangeiro e desenvolver setores tecnológicos, a Irlanda transformou-se numa das Economias mais competitivas da Europa, com crescimento sustentado e emprego qualificado. Já a Coreia do Sul, com PIB per capita próximo do português há algumas décadas e uma Economia dependente da agricultura, estruturou um plano de industrialização baseado em educação técnica, inovação tecnológica e coordenação entre Estado e setor privado. Hoje, é uma potência industrial e tecnológica global, referência em produtividade e inovação. Estes exemplos provam que pensar a longo prazo não é um teoria, é a estratégia que transforma Economias médias em países altamente competitivos.
Para Portugal, a aplicação prática desta visão implica medidas concretas: estabelecer orçamentos plurianuais vinculados a metas de educação, inovação e tecnologia, criar incentivos fiscais para startups e projetos de I&D, modernizar o sistema educativo para responder às necessidades do mercado e investir em digitalização e automação em setores estratégicos para o país. Sem disciplina e continuidade, qualquer política continuará a ser insuficiente.
Construir uma economia forte exige persistência e planeamento estratégico. Portugal precisa de coragem para ultrapassar a lógica do ciclo eleitoral e focar-se em metas plurianuais que consolidem educação, inovação e tecnologia como pilares estruturais. Só assim será possível gerar resultados concretos, sustentáveis e positivos, transformando problemas estruturais em oportunidades de crescimento duradouro.
Na minha visão, colocar a Economia como pilar central e pensamento de longo prazo não são opções: são a única forma de Portugal crescer de forma estruturada e competitiva, criando prosperidade real e duradoura para a sociedade.