André Ventura perde em tribunal, mas acaba de garantir o primeiro lugar nas presidenciais

Ventura perde em tribunal, mas ganha força política com a polémica dos cartazes

Ventura é obrigado a retirar os cartazes sobre ciganos - Portugal Inigualável

Hoje, acaba de sair a decisão de que Ventura é obrigado a retirar os cartazes que dizem explicitamente: “Os ciganos têm de cumprir a lei”. Embora se possa debater a ofensividade desta afirmação e o teor da mesma, uma coisa é certa: isto é uma dupla vitória.

Os ciganos e a associação de ciganos ganham no poder judicial, mas Ventura ganhou no poder do povo e agora pode catapultar a narrativa de que o sistema judicial está “comprado” e que os próprios tribunais não respeitam a liberdade de expressão. Isto, para o seu eleitorado, permite a sua fidelização e, para as pessoas mais descontentes com o sistema, que ainda hesitariam em votar Ventura, torna-se mais um motivo para votar nele.

Portanto, sim: embora Ventura saia derrotado em tribunal, Ventura sai vitorioso no poder do povo, e esse é o que realmente importa para ser eleito.

Do ponto de vista estratégico, Ventura tinha pouco a perder e muito a ganhar com estes cartazes. Passava a sua mensagem de que, pelo senso comum, muitos ciganos, passados anos e gerações no país, ainda se encontram à margem da lei. E isto já nem sequer é dito apenas pelo partido CHEGA e os seus deputados; já foi referido pelo deputado João Almeida do CDS-PP no Parlamento (vídeo no final do artigo), onde ele próprio faz referências a comunidades em Portugal que se encontram à margem da lei.

Ou seja, pelo senso comum, é mais que sabido que há uma parte considerável de ciganos que se encontra à margem da lei, seja na criminalidade, seja no pagamento de impostos ou em negócios.

A verdade é que esta “parte considerável de ciganos” é impossível de calcular, dado que os relatórios desenvolvidos pelas entidades governamentais não recolhem dados por etnia -seja nos relatórios de criminalidade, nos relatórios da Segurança Social ou noutra temática qualquer. E este é um dos maiores problemas de Portugal: tentar resolver problemas em determinadas comunidades sem termos noção do termo per capita, que permite identificar qual etnia ou nacionalidade está mais sobre representada e em que temática.

E isto não é racismo, são factos matemáticos. Por exemplo, é sabido que os portugueses têm um grave problema com a violência doméstica e, se houver um grande fluxo migratório para países estrangeiros que não têm este tipo de violência, é importante que esse país estrangeiro faça uma distinção entre nativo e português, porque não é justo para o país que os acolhe começar a ser culpado de crimes que são tipicamente portugueses.

Concluindo, Ventura sai beneficiado e, se antes já tinha praticamente o primeiro lugar garantido segundo as sondagens, Ventura acaba agora de garantir o seu lugar no pódio nestas eleições legislativas.

Os ciganos têm de cumprir a lei, os portugueses têm de cumprir a lei, os brasileiros têm de cumprir a lei e os indianos também. Todos são iguais perante a lei e, se há determinada comunidade que está sobre representada no não cumprimento da lei, esta deve ser exposta e avisada, para que depois possa ser corrigida e integrada.

O tribunal falhou a defender o direito mais fundamental de todos e isto deve ser um alerta para nós, enquanto cidadãos, sobre o que está a acontecer. Mas, para Ventura, enquanto deputado e candidato, isto é uma vitória.





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