Nos últimos anos, um argumento tem ecoado pelos corredores da política e transformando cada vez mais a opinião pública portuguesa: “Portugal precisa de mais imigração porque falta mão-de-obra”. O discurso, apesar de parecer benevolente, esconde a mais dura e complexa realidade – a imigração tem vindo a ser usada como ferramenta para perpetuar salários baixos, enquanto o país continua preso a um modelo económico de baixa produtividade.
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| Portugueses são trocados por imigrantes para manter baixos salários |
Segundo dados do Banco de Portugal, em 2015, 34,1% dos trabalhadores estrangeiros, recebiam o salário mínimo, comparado com 17,4% dos nacionais. Em 2022, já depois da grande vaga migratória que começou em 2015, estes números agravaram-se: 38% dos estrangeiros passaram a ganhar o salário mínimo, enquanto 21,4% dos portugueses passaram a receber o salário mínimo (um aumento de 4% ora para os estrangeiros ora para os nacionais)
Estes números deixam claro que a inserção massiva de mão-de-obra
estrangeira em setores de baixa qualificação tem feito pouco mais que sustentar
um modelo económico que privilegia a exploração em detrimento da evolução.
E é neste sentido que é URGENTE desmontar o mito de que “os portugueses não querem trabalhar”.
Os portugueses querem sim, trabalhar , mas não por salários
que mal chegam para cobrir o custo de vida. O que se passa em muitos setores é
uma substituição pura e simples, em que os trabalhadores portugueses que exigem
melhores condições, estão a ser trocados por imigrantes dispostos a aceitar o
salário mínimo ou até menos (como nos casos da imigração ilegal).
E a prova de que os portugueses querem sim trabalhar, é o
facto de vermos tantos portugueses emigrados no estrangeiro, como por exemplo,
na Suíça. Em 2023, os portugueses escolheram a Suíça como principal país a
emigrar, porque é um país onde paira o liberalismo económico e onde o trabalho
por mais pesado ou repetitivo que seja, é recompensado. Ou seja, os nossos
portugueses estão a emigrar para fazer o trabalho que os imigrantes estão a
fazer neste país – os nossos portugueses emigram, não porque não querem fazer o
trabalho “dos imigrantes”, mas porque em Portugal esses trabalhos são mal
remunerados e mal dá para ter uma vida digna em Portugal.
E isto leva-nos ao principal problema de Portugal – o facto
de estarmos presos a um modelo completamente retrógrado. Ao invés de apostarmos
em inovação tecnológica, estamos ainda na lógica de aumentar a produção através
do aumento do número de trabalhadores, como se vivêssemos numa era pré-industrial.
Enquanto países como a China, o Japão, e os EUA, avançam com a automação,
robótica e inteligência artificial para substituir trabalhos repetitivos e
pesados, Portugal diz que “falta gente” para colheitas agrícolas, construção
civil, restauração ou entregas de comida, trabalhos que facilmente podem ser
automatizados, aumentando a produtividade e reduzindo custos.
Portugal precisa de uma revolução produtivo, não de uma bolha de mão-de-obra barata.
Parece que ESQUECEMOS POR COMPLETO A NOSSA HISTÓRIA.
A nossa história, demarca-se pelo facto de sermos um país
inovador. Na época dos descobrimentos, não foi com mais pessoas que descobrimos
o mundo, foi com mais inovação, nos nossos barcos, que enfrentámos os tempestuosos
mares.
Se queremos competir a nível internacional, temos de fazer muito
mais do que apenas preencher vagas. Se queremos ser novamente um império, temos
de reinventar as bases da nossa economia, sem qualquer receio – acolher robôs
que apanhem fruta; substituir operários fabris por robôs fabris que trabalhem
24/7; adquirir carros autónomos que substituam os táxis; entre tantas outras
profissões que facilmente são substituíveis por IAS e robôs. E sim, este
modelo cria empregos – empregos mais qualificados, melhor pagos, que retêm
talento e geram valor – PARA OS PORTUGUESES.
O futuro de Portugal não está na quantidade de imigrantes que contratamos, mas na qualidade do sistema tecnológica que construímos. O trator multiplicou a capacidade agrícola, tal como a robótica moderna pode multiplicar a nossa produtividade. Mas enquanto continuarmos a pensar como no tempo em que se lavrava a terra com bois, seremos eternamente ultrapassados por quem investe no futuro.
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Vídeo completo sobre o tema em questão no vídeo abaixo do Youtube
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