Eleições 2026: O Egoísmo Partidário e a Hipocrisia de Candidatos em Portugal

Desabafo de um Estudante Universitário português sobre as eleições presidenciais

O Egoísmo Partidário e a Hipocrisia de Candidatos em Portugal - Opinião de Simão Pinto de Sá

Já podemos falar de como estas eleições são as mais egoístas de sempre? Seja a nível partidário, seja a nível pessoal, cada vez mais vejo esta campanha a ser marcada não só pelas polémicas e os empates técnicos, mas também pelas contradições em partidos e candidatos.

É mais que sabido que a política é um meio sujo, no entanto, este ano em especial, da esquerda à direita vemos uma irracionalidade gigantesca que vou me debruçar a seguir.

A Esquerda — “Salve-se quem puder”:

A Esquerda está numa conjuntura muito complicada e delicada, sem previsão de melhora ao que indicam as sondagens em termos legislativos. Na esquerda vemos uma Catarina Martins disposta a deixar a presidência ir parar à direita apenas para dar sinais de vida do seu partido e um Jorge Pinto que, por muito boas intenções que tenha, não está preparado para ser PR.

Se a esquerda pretendia um candidato à esquerda de Seguro, o único nome a avançar deveria ser António Filipe pela sua história, reputação e experiência. Os resultados desta divisão estão a mostrar-se, naturalmente, prejudiciais para os 3, isto dado ao facto de cada candidato reunir o apoio de apenas um partido, não se traduzindo numa previsão de voto expressiva, levando a um êxodo do voto útil em Seguro.

Centro e Direita — Não saber “marcar golo” e um toque de incógnita:

Começo pelas contradições de Montenegro, que apelou ao voto útil em Marques Mendes por ser o candidato deste espectro à frente das sondagens na pré-campanha. A fraca campanha de Marques Mendes traduziu-se, no entanto, num mínimo histórico para um candidato apoiado pelo PSD, que emigrou em grande parte para Cotrim de Figueiredo, chegando ao ponto de militantes serem ameaçados pelas próprias distritais sociais-democratas.

Vemos agora Montenegro a apoiar o voto útil no candidato à frente? Claro que não. 

Falando em Liberais, estes também são no mínimo curiosos. A Iniciativa Liberal sempre foi perita em negar o voto útil e apelar à primeira escolha do votante, não importa a situação, pasme-se no entanto que quando finalmente um candidato seu está na corrida, o voto útil torna-se a salvação deste país contra o socialismo e o populismo.

Ventura não quer e nunca quis vencer estas eleições, quer passar uma mensagem de que o CHEGA está vivo, mesmo que isso signifique que o candidato mais consensual no centro-direita fique de fora da segunda volta e Seguro seja eleito.

A cereja no topo do bolo é Gouveia e Melo. Ninguém tem muito uma ideia das suas posições e quem este gostaria de ver em Belém sem ser o mesmo. 

Tudo isto põe em risco uma segunda volta entre Seguro e Cotrim, que, na minha opinião, é o único candidato capaz de unir o espectro inteiro.

Não apelo ao voto a ninguém, apenas quero com este texto demonstrar a hipocrisia e podridão do nosso sistema, desde os mais antigos, até aos mais jovens que prometem reformar esse mesmo sistema. A verdade é que chegamos à hora H e, da esquerda à direita, sejam partidos ou candidatos, nenhum está disposto a colocar o bem dos portugueses acima do seu umbigo.

Este é para mim um dos maiores problemas da nossa sociedade, que não avança fruto da constante demagogia utilizada para cada um proteger a sua casa e a sua cor política, mesmo sendo mais que sabido que nenhuma é perfeita e a ideologia a aplicar deve variar com a conjuntura.

Concluo dizendo que isto não passa de um desabafo de um estudante universitário que, ainda que saiba que não será ouvido e nunca revolucionará o sistema com este texto, começa a perder a esperança com os atuais protagonistas e partidos políticos e a sua falta de coerência.

Politicamente Incensurável

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